INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

A IA esquece tudo entre conversas: onde guardar decisões, auditorias e pendentes da tua loja

Cada conversa nova com a IA começa do zero. Vê como usar uma wiki ou um gestor de tarefas ligado por conector como memória da loja, o hábito de pedir 'documenta isto' no fim de cada fase e um truque para passar contexto entre conversas e ferramentas.

Pedro Alfaiate·· 5 min de leitura
Capa Onde a IA guarda o que decidiste, com um arquivo de fichas e um marcador verde.

Passas uma hora com a IA a auditar o catálogo, tomas decisões, ficam tarefas por fazer. No dia seguinte abres uma conversa nova e a IA não sabe nada disso. Repetes o contexto, volta a haver pequenas diferenças na interpretação, e o trabalho da véspera fica preso numa conversa que já ninguém encontra.

A solução não passa por conversas mais longas. Passa por dar à IA uma memória fora da conversa: uma página num gestor de tarefas ou numa wiki, ligada por conector, onde ficam as decisões, os resultados das auditorias e os pendentes. Cada conversa nova começa por ler essa página.

O que guardar, e onde

Um gestor de tarefas com documentos, como o ClickUp, ou uma wiki como o Notion, servem para isto. O que importa é que a IA consiga ler e escrever nessa página através do conector, e que tu a consigas abrir sem a IA, no telemóvel inclusive.

O que deve lá ficar:

  • Ponto de situação do que está feito e do que falta, por projeto: migração, catálogo, stocks.
  • Decisões tomadas e o motivo. “A coleção X não entra na auditoria porque vai ser descontinuada” evita que a IA a inclua de novo.
  • Resultados de auditorias, incluindo os reprovados. Uma auditoria a um ficheiro de sincronização de stocks que não passou por ter erros a mais é informação valiosa: evita que a conversa seguinte repita o mesmo caminho.
  • Prompts que funcionaram, prontos a reutilizar.
  • Tarefas pendentes, com quem as faz.

Não é um diário. É a informação de que a conversa seguinte precisa para não repetir a anterior. Se fazes auditorias ao catálogo com IA, a lista de produtos a corrigir e o que já foi corrigido é o primeiro candidato a ir para lá.

O hábito: “documenta isto”

O método tem dois momentos.

No fim de cada fase, quando uma parte do trabalho fica validada, pede à IA: “documenta isto na página do projeto”. A IA escreve o resumo, as decisões e os pendentes no documento, através do conector. Faz isto várias vezes por conversa, não só no fim, porque o fim raramente é planeado: a conversa fica longa, os créditos acabam, ou passas para outra tarefa.

No início da conversa seguinte, a primeira instrução é: “lê primeiro a página do projeto antes de fazeres qualquer atualização”. A IA analisa o que lá está e só depois avança. Assim, deixas de depender de uma conversa específica, ou de uma ferramenta específica, para continuar o trabalho.

Este hábito tem um efeito lateral útil: obriga-te a validar antes de documentar. O que vai para a página é o que já revisste, não o que a IA acabou de produzir.

Passar contexto sem a página: o prompt de continuação

Nem sempre queres, ou podes, ligar uma ferramenta de documentação. Há uma segunda técnica, mais leve: uma instrução guardada na ferramenta de IA que gera um prompt de continuação.

A meio de uma auditoria ou de uma implementação, quando precisas de mudar de conversa ou de ferramenta, pedes: “dá-me o prompt para continuar isto noutra conversa”. A IA devolve um bloco pronto a colar, com o objetivo, o ponto onde ficou, as decisões relevantes e o que falta. Colas na conversa nova e continuas.

Guardada como “skill”, uma instrução reutilizável que a ferramenta aplica quando reconhece o pedido, serve para dois fins: poupar créditos ao mudar de conversa, e mudar de ferramenta sem perder o fio. Se a tua ferramenta não tem skills, guarda o pedido num ficheiro de texto e cola-o quando precisares. A estrutura de um bom prompt de continuação é a mesma de um pedido robusto: objetivo, fontes, regras, resultado esperado.

Dois cuidados

Permissões da página. A IA vai escrever no documento, por isso o conector precisa de escrita nessa ferramenta. É um risco diferente de escrever na loja: o pior que acontece é uma página mal escrita, que tu corriges. Mesmo assim, lê tudo o que a IA escreve em ficheiros e páginas, não só o que escreve na loja.

Informação sensível. A página vai conter dados da loja: produtos, stocks, decisões comerciais. Confirma quem tem acesso ao espaço de trabalho e não coloques lá credenciais, dados de clientes ou números que não queres partilhar com quem vê o documento.

Começa pequeno

Cria uma página com quatro títulos: ponto de situação, decisões, pendentes, prompts. Na próxima conversa com a IA sobre a loja, começa por “lê esta página” e termina com “documenta isto”. Ao fim de uma semana sabes se a memória externa te poupa tempo. O sinal de que funciona é este: deixaste de precisar de encontrar a conversa certa para continuar o trabalho.

Este artigo foi preparado a partir dos conteúdos da Academia Shopifyers sobre o uso de ferramentas de IA com ligação à loja.

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